Martin Sorrell tem planos para driblar a crise e tornar a WPP mais latino-americana
Martin Sorrell, fundador e presidente mundial da WPP – holding controladora de agências como JWT, Young & Rubicam e Ogilvy & Mather –, está no Brasil para uma de suas visitas às agências latino-americanas de sua empresa, que acontecem a cada dois anos. Em São Paulo na manhã desta quinta-feira, 16 de outubro, o executivo aproveitou para falar sobre os caminhos que seu grupo está trilhando em meio à crise, bem como a respeito dos efeitos em curto e médio prazo do imbróglio econômico. Sorrell se posiciona com conhecimento de causa, pois é graduado em Economia pela Cambridge University, com MBA na Harvard University Graduate School of Business Administration, tendo atuado como diretor financeiro do grupo Saatchi & Saatchi de 1977 a 1984 – até fundar, um ano depois, a WPP. Por suas análises, o profissional garante que há havia se preparado para o pior, mesmo não sabendo que os rumo seriam tão negativos. “Já prevíamos antes do início do ano que o período pós-olimpíada e eleições americanas seria difícil, porém, tudo se agravou ainda mais com a crise do sistema financeiro”, avalia.
Para o executivo, o final de 2008 será também difícil, com agravo da situação no próximo exercício, porém, 2010, em sua opinião, deve ser um ano de reconstrução, principalmente pela realização de grandes eventos como a Copa do Mundo na África do Sul, os Jogos Olímpicos de Inverno, os Jogos Asiáticos e as eleições para o congresso americano.
Aprofundando sua análise do quadro atual em âmbito mundial, Sorrell pontua a diferença entre problemas que afatam o sistema financeiro, potencializado pela queda das bolsas, e a vida dos cidadãos comuns, cujos orçamentos não estão atrelados a investimentos e que, portanto, não têm pautado seu dia-a-dia pelos receios que, neste momento, se manifestam em terminados setores da economia. “Geralmente, o mundo ‘real’ sente os resultados da crise econômica com um atraso de seis meses, o que está para acontecer. Mas vejo que o medo é muito maior do que os verdadeiros prejuízos que os consumidores em geral sentirão”, afirma.
Nas contas do presidente, a WPP tem 37% de sua receita atual proveniente do mercado norte-americano; 37% dos países da Europa Ocidental; e 26% do Bric, bem como dos países do leste europeu e outras nações emergentes. Vendo que a crise age, obviamente, com maior agressividade em mercados mais maduros, Sorrell se vale, em suas estratégias, de previsões nas quais países como o nosso despontam dentro os menos afetados no balanceamento da equação gerada pela crise financeira. “Nossa meta é atingir, em breve, uma divisão mais equilibrada, na qual cada um dos nossos blocos regionais de faturamento responda por um terço do total da receita. Espero vir à São Paulo nos próximos cinco anos e ver a WPP mais latino-americana, mais asiática, com mais força do lado leste da Europa e do mundo”, argumenta.
O executivo demonstrou, ainda, orgulho e otimismo em relação à aquisição do grupo britânico de pesquisa TNS por mais de US$ 2 bilhões, conforme anunciado na última semana. “Após a compra da TNS, calculamos que apenas 40% de nosso faturamento continuará sendo fruto da publicidade tradicional. Os demais 60% virão dos serviços de nossa nova empresa, como pesquisas de mercado e consultoria; e das chamadas novas mídias digitais e, principalmente, mobile marketing”, acentua Sorrell, adiantando que divulgará nesta sexta-feira, 17, a aquisição de uma empresa focada em marketing de varejo, sediada na África e no Oriente Médio.
Finalizando suas percepções sobre a crise, o bem-sucedido executivo acrescenta que em tempos difíceis se deve manter uma boa estratégia de investimento. “Analisando a História, vemos que as marcas que cortaram investimentos diante de crises tiveram muita dificuldade para recuperar o espaço perdido no futuro”, aconselha, esperando que seus maiores clientes, como Procter & Gamble, Unilever e Nestlé, pensem como ele. “Meu chute diz que teremos uma surpresa positiva quando soubermos da verba que nossos clientes estão preparando para 2009".
fonte: Portal da Propaganda

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