Agências mantêm ritmo de contratações, apesar da crise
Sempre achei que esta crise era muito mais um efeito de desespero coletivo, do que efetivamente o sistema econômico entrando em colapso. Continuo acreditando que quem faz a crise, são as próprias pessoas, que sem saber ao certo o que está acontecendo, se influenciam ao ler ou ver notícias que a bolsa despencou. Realmente, isso é um problema, mas o dinheiro não sumiu, apenas saiu das bolsas e migrou para outro lugar. Fazia tempo que eu não via tantas promoções, tantos sorteios, tanto investimento em marketing e mídia, é o mercado reagindo, tentando manter o nível de consumo em alta e fazendo girar a economia.
Mais especificamente sobre o mercado publicitário, trago uma notícia que reforça minhas convicções, tirem vocês as suas conclusões.
Abraço a todos
Quando a palavra crise ronda o mercado, o roteiro é conhecido: diminuem-se investimentos e, em seguida, profissionais são demitidos. Nos últimos meses, agências como DM9DDB, McCann-Erickson, Hello e Eugenio anunciaram cortes em seus quadros. Já a holding WPP (que inclui Young & Rubicam, Ogilvy e JWT, entre outras) determinou o congelamento das contratações até que o horizonte se torne mais claro. Que esses exemplos, porém, não sejam tomados como regra. Na contramão de uma hipotética tendência de demissões e de contenção de despesas, muitas representantes da indústria da propaganda mantêm o ritmo de trabalho e, inclusive, ampliam suas equipes.
Nesta semana, movida pela renovação do contrato com a Caixa Econômica Federal, a Fischer América anuncia a chegada de cinco novos profissionais seniores para o seu escritório em Brasília - uma dupla de criação, um mídia, um profissional para a área financeira e outro para operações. Com esse incremento, passam a ser 15 os reforços que se uniram à agência no Brasil de agosto para cá (entre os quais, duas repatriações vindas da base portuguesa do grupo). "Estamos estruturados para atender aos nossos clientes e para prospectar outros novos", explica o VP de operações da agência, Dado Lancellotti.
São consideradas solo fértil para as novas contratações a economia do País - hoje bem mais sólida do que no passado recente - e a manutenção do planejamento por parte da maioria dos clientes, pelo menos enquanto não se sabe a intensidade das turbulências externas. Assim, na F/Nazca Saatchi&Saatchi, só na última semana, foram feitas cinco contratações (para as áreas de mídia, criação e atendimento). A conquista da Fit Residencial, empresa que entrou para a carteira da agência em junho, e as contas da Claro e da Skol estão por trás da movimentação. "Não sentimos efeito direto nem indireto da crise", afirma Ivan Marques, sócio-diretor da F/Nazca.
No Grupo Publicis, por sua vez, ocorreram 12 contratações nos últimos dois meses: nove na Publicis e três na Salles Chemistri. "A conquista de novas contas como a da Telefônica, em agosto, e a retomada de crescimento - chegaremos a 20% até o fim de 2008 - impulsionaram as contratações, que envolvem as áreas de criação, mídia e atendimento", comenta o VP nacional de criação do grupo, Hugo Rodrigues.
Já a Fala, do Grupo Total, que ganhou parte da conta do Ponto Frio, é um caso à parte. Antes com 80 profissionais, a agência tem previsão de contratar entre 20 e 25 pessoas até o começo de 2009. Mas como a DM9 perdeu parte dessa conta, e com isso demitiu 30 pessoas, para o mercado é como se o equilíbrio fosse mantido. Alex Isnenghi, chamado para a direção geral da agência, por exemplo, vem da DM9. "A diretoria ainda pode sofrer alterações", afirma o presidente Allan Barros.
Pé no chão
Em geral, o clima entre os publicitários é de otimismo, mas com cautela. Executivos e empresários continuam a prever bons resultados para este ano e 2009, porém mantêm os pés no chão e projetam números mais tímidos para o ano que vem. "Não acredito que em 2009 vá haver estagnação nem crescimento negativo, e sim um crescimento moderado", diz Marques. "Meu palpite é que o mercado crescerá entre 8% e 10% e a F/Nazca, uns 5%", completa. Se a avaliação tivesse sido feita no primeiro semestre, porém, o índice seria maior. "Dois meses atrás, tínhamos a perspectiva de crescer aproximadamente 25% em 2009, o mesmo número deste ano. Agora a nossa projeção é de 16%, sendo cerca de 5% de correção de tabela e o restante de crescimento real", analisa Aurélio Lopes, presidente da Giovanni+DraftFCB.
Ele conta que a crise não trouxe nenhum impacto significativo para os negócios da agência, nem mesmo por atender a Gafisa, marca do setor imobiliário, um dos mais suscetíveis às mudanças de humor do mercado. "A empresa é líquida e está tranqüila", observa. Só neste mês, cinco novos profissionais fixos chegaram à Giovanni (um para o Rio, outro para Brasília e três para São Paulo), além de cinco freelancers e quatro reposições. O crescimento da agência é impulsionado pela área digital e pelo cross-sell, que permitiram ampliar a atuação dentro dos clientes.
Comedidamente, até agências do grupo WPP renovaram suas equipes. A JWT contratou duas pessoas para a criação digital e repôs outras duas. E a Ogilvy trouxe Renata Saraiva para ser diretora da Ogilvy RP, além de ter feito uma reposição. "Estamos olhando para o futuro sem tirar o pé do acelerador", explica Sérgio Amado, presidente do grupo Ogilvy Brasil. Segundo ele, o quadro funcional agora está fechado e é praxe que não ocorram contratações entre novembro e março. Por outro lado, não há perspectiva de demissões em curto prazo, o que impactaria os resultados da agência e causaria um desgaste desnecessário se daqui a sete ou oito meses profissionais tivessem de ser recontratados.
Na Centoeseis ocorreram seis contratações em outubro, impulsionadas pela conquista de sete novas contas no decorrer do ano. O resultado foi um crescimento de mais de 10% na equipe, que assim chega a 50 profissionais. "Pensamos em ampliar o nosso escritório (em São Paulo), mas estamos esperando para fazer esse movimento definitivo", revela o sócio e diretor-geral Ricardo Al Makul. "Se entrar mais trabalho, aumentamos a estrutura."
Uma das visões mais otimistas do mercado vem do sócio-presidente da Fam, Fábio Siqueira. Ele conta que sempre ouviu o discurso temeroso de que dias nublados estão por perto. "Para mim a única crise que nos afeta é a do pessimismo", diz. Segundo ele, é em momentos como esse que as agências devem mostrar aos clientes que propaganda não é gasto e sim investimento. Para responder às demandas de seus clientes, Siqueira contratou quatro pessoas nos últimos 90 dias, para o atendimento e a criação. A previsão é de trazer mais sete pessoas para a equipe, hoje de 35 funcionários, até o começo de 2009.
Fundada há noves meses e em estágio de formação de equipe, a Babel também contratou no mês passado Fernanda Modena, como diretora de atendimento, e espera trazer mais três pessoas para a sua equipe até o fim do ano. Esses novos profissionais, todos da área digital, estarão inicialmente voltados para um projeto para o cliente Nestlé. "Temos uma estrutura dimensionada para os nossos clientes. As agências maiores em geral têm maior ociosidade", afirma o presidente da agência, Julio Anguita.
Com staff de 487 pessoas, o grupo TV1 também tem perspectivas de contratações. No momento, são nove as vagas abertas - quatro para a GNova, duas para a TV1RP, duas para a TV1.com e uma para a TV1 Eventos. O presidente da empresa, Sérgio Motta Mello, ressalta, no entanto, que o momento é de ficar atento. "Não estamos demitindo, mas se houver saída em algumas áreas não vamos repor", pondera. "Estamos bem-posicionados, porém agimos sem euforia."
fonte: Meio&Mensagem
Mais especificamente sobre o mercado publicitário, trago uma notícia que reforça minhas convicções, tirem vocês as suas conclusões.
Abraço a todos
Quando a palavra crise ronda o mercado, o roteiro é conhecido: diminuem-se investimentos e, em seguida, profissionais são demitidos. Nos últimos meses, agências como DM9DDB, McCann-Erickson, Hello e Eugenio anunciaram cortes em seus quadros. Já a holding WPP (que inclui Young & Rubicam, Ogilvy e JWT, entre outras) determinou o congelamento das contratações até que o horizonte se torne mais claro. Que esses exemplos, porém, não sejam tomados como regra. Na contramão de uma hipotética tendência de demissões e de contenção de despesas, muitas representantes da indústria da propaganda mantêm o ritmo de trabalho e, inclusive, ampliam suas equipes.
Nesta semana, movida pela renovação do contrato com a Caixa Econômica Federal, a Fischer América anuncia a chegada de cinco novos profissionais seniores para o seu escritório em Brasília - uma dupla de criação, um mídia, um profissional para a área financeira e outro para operações. Com esse incremento, passam a ser 15 os reforços que se uniram à agência no Brasil de agosto para cá (entre os quais, duas repatriações vindas da base portuguesa do grupo). "Estamos estruturados para atender aos nossos clientes e para prospectar outros novos", explica o VP de operações da agência, Dado Lancellotti.
São consideradas solo fértil para as novas contratações a economia do País - hoje bem mais sólida do que no passado recente - e a manutenção do planejamento por parte da maioria dos clientes, pelo menos enquanto não se sabe a intensidade das turbulências externas. Assim, na F/Nazca Saatchi&Saatchi, só na última semana, foram feitas cinco contratações (para as áreas de mídia, criação e atendimento). A conquista da Fit Residencial, empresa que entrou para a carteira da agência em junho, e as contas da Claro e da Skol estão por trás da movimentação. "Não sentimos efeito direto nem indireto da crise", afirma Ivan Marques, sócio-diretor da F/Nazca.
No Grupo Publicis, por sua vez, ocorreram 12 contratações nos últimos dois meses: nove na Publicis e três na Salles Chemistri. "A conquista de novas contas como a da Telefônica, em agosto, e a retomada de crescimento - chegaremos a 20% até o fim de 2008 - impulsionaram as contratações, que envolvem as áreas de criação, mídia e atendimento", comenta o VP nacional de criação do grupo, Hugo Rodrigues.
Já a Fala, do Grupo Total, que ganhou parte da conta do Ponto Frio, é um caso à parte. Antes com 80 profissionais, a agência tem previsão de contratar entre 20 e 25 pessoas até o começo de 2009. Mas como a DM9 perdeu parte dessa conta, e com isso demitiu 30 pessoas, para o mercado é como se o equilíbrio fosse mantido. Alex Isnenghi, chamado para a direção geral da agência, por exemplo, vem da DM9. "A diretoria ainda pode sofrer alterações", afirma o presidente Allan Barros.
Pé no chão
Em geral, o clima entre os publicitários é de otimismo, mas com cautela. Executivos e empresários continuam a prever bons resultados para este ano e 2009, porém mantêm os pés no chão e projetam números mais tímidos para o ano que vem. "Não acredito que em 2009 vá haver estagnação nem crescimento negativo, e sim um crescimento moderado", diz Marques. "Meu palpite é que o mercado crescerá entre 8% e 10% e a F/Nazca, uns 5%", completa. Se a avaliação tivesse sido feita no primeiro semestre, porém, o índice seria maior. "Dois meses atrás, tínhamos a perspectiva de crescer aproximadamente 25% em 2009, o mesmo número deste ano. Agora a nossa projeção é de 16%, sendo cerca de 5% de correção de tabela e o restante de crescimento real", analisa Aurélio Lopes, presidente da Giovanni+DraftFCB.
Ele conta que a crise não trouxe nenhum impacto significativo para os negócios da agência, nem mesmo por atender a Gafisa, marca do setor imobiliário, um dos mais suscetíveis às mudanças de humor do mercado. "A empresa é líquida e está tranqüila", observa. Só neste mês, cinco novos profissionais fixos chegaram à Giovanni (um para o Rio, outro para Brasília e três para São Paulo), além de cinco freelancers e quatro reposições. O crescimento da agência é impulsionado pela área digital e pelo cross-sell, que permitiram ampliar a atuação dentro dos clientes.
Comedidamente, até agências do grupo WPP renovaram suas equipes. A JWT contratou duas pessoas para a criação digital e repôs outras duas. E a Ogilvy trouxe Renata Saraiva para ser diretora da Ogilvy RP, além de ter feito uma reposição. "Estamos olhando para o futuro sem tirar o pé do acelerador", explica Sérgio Amado, presidente do grupo Ogilvy Brasil. Segundo ele, o quadro funcional agora está fechado e é praxe que não ocorram contratações entre novembro e março. Por outro lado, não há perspectiva de demissões em curto prazo, o que impactaria os resultados da agência e causaria um desgaste desnecessário se daqui a sete ou oito meses profissionais tivessem de ser recontratados.
Na Centoeseis ocorreram seis contratações em outubro, impulsionadas pela conquista de sete novas contas no decorrer do ano. O resultado foi um crescimento de mais de 10% na equipe, que assim chega a 50 profissionais. "Pensamos em ampliar o nosso escritório (em São Paulo), mas estamos esperando para fazer esse movimento definitivo", revela o sócio e diretor-geral Ricardo Al Makul. "Se entrar mais trabalho, aumentamos a estrutura."
Uma das visões mais otimistas do mercado vem do sócio-presidente da Fam, Fábio Siqueira. Ele conta que sempre ouviu o discurso temeroso de que dias nublados estão por perto. "Para mim a única crise que nos afeta é a do pessimismo", diz. Segundo ele, é em momentos como esse que as agências devem mostrar aos clientes que propaganda não é gasto e sim investimento. Para responder às demandas de seus clientes, Siqueira contratou quatro pessoas nos últimos 90 dias, para o atendimento e a criação. A previsão é de trazer mais sete pessoas para a equipe, hoje de 35 funcionários, até o começo de 2009.
Fundada há noves meses e em estágio de formação de equipe, a Babel também contratou no mês passado Fernanda Modena, como diretora de atendimento, e espera trazer mais três pessoas para a sua equipe até o fim do ano. Esses novos profissionais, todos da área digital, estarão inicialmente voltados para um projeto para o cliente Nestlé. "Temos uma estrutura dimensionada para os nossos clientes. As agências maiores em geral têm maior ociosidade", afirma o presidente da agência, Julio Anguita.
Com staff de 487 pessoas, o grupo TV1 também tem perspectivas de contratações. No momento, são nove as vagas abertas - quatro para a GNova, duas para a TV1RP, duas para a TV1.com e uma para a TV1 Eventos. O presidente da empresa, Sérgio Motta Mello, ressalta, no entanto, que o momento é de ficar atento. "Não estamos demitindo, mas se houver saída em algumas áreas não vamos repor", pondera. "Estamos bem-posicionados, porém agimos sem euforia."
fonte: Meio&Mensagem

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