25/09/2009

O que impede as agências de trabalhar as mídias sociais

Carlos Henrique Vilela, do blog CHMKT fala sobre a dificuldade das agências trabalharem as mídias sociais, confira:

Resolvi, falar sobre o que faz com que muitas agências não utilizem esse tipo de mídia nas soluções de comunicação para os seus clientes. Aliás, este é um dos maiores desafios atuais do negócio.

Está claro que, se uma agência deseja continuar oferecendo soluções estratégicas de comunicação, capazes de resolver os problemas do cliente e aproveitar as oportunidades do mercado, esse tipo de mídia não pode ser deixado de lado. Por isso mesmo, as agências falam cada vez mais sobre este assunto. Entretanto, grande parte do que elas criam continua sendo simplesmente publicidade convencional.

Há exceções. Algumas poucas estão conseguindo. Estão contratando bons estrategistas e pensadores de mídias sociais interação e começando a desenvolver alguns trabalhos bem interessantes. Posso me orgulhar de trabalhar em uma agência que está acertando bastante nessa direção.

Porém, a grande maioria não entende nem a questão da interação, a conversa entre pessoas e marcas, que é a essência da Web 1.0. Imagine então como elas lidam com Web 2.0, na qual as pessoas conversam entre si, sem limites.

O grande problema, na minha opinião, é um conflito cultural entre o que as agências estão acostumadas a fazer e o que as mídias sociais exigem. Portanto, resolvi levantar alguns pontos que mostram bem as dificuldades que devem ser vencidas pelas agências que desejam se manter atuais em um futuro próximo. Vamos lá:

1 - As mídias sociais são a antítese da publicidade. A publicidade é uma comunicação de uma só via, que mira um grande grupo de consumidores e impõe a sua mensagem. A interação é uma comunicação de duas vias, na qual a marca fala e ouve. Já as mídias sociais são multidirecionais. As marcas falam, ouvem e também assistem a outras pessoas conversando entre si. Não é fácil para o pessoal das agências, acostumados a falar, apenas, ter que parar para ouvir e também observar o processo de comunicação.

2 - Criativos, atendimentos, planejadores, mídias e clientes foram ensinados a focar nos meios tradicionais: TV, impresso e outdoor. Mídia social é algo muito novo. Os profissionais hoje na ativa certamente não aprenderam nada sobre isso na faculdade. Além disso, os cursos de pós-graduação ainda negligenciam esse novo tipo de mídia, da mesma maneira que as publicações especializadas falam muito pouco sobre o tema. Quem entende do assunto, é porque correu atrás – seja em blogs ou por aprendizado próprio. E isso é exceção.

3 - As mídias sociais exigem um pensamento multidisciplinar. A maioria dos profissionais de criação foca na arte e na criatividade, e não na experiência. Já os profissionais mais familiarizados com meios interativos e sociais vem de disciplinas relacionadas à tecnologia, e são experts em códigos e algoritmos. Eles conseguem promover experiências, mas falta, à maioria deles, o lado criativo.

4 - As mídias sociais exigem a criação de conteúdo. A maioria das agências não está preparada para criar o volume de conteúdo necessário para encher blogs, páginas do Facebook, Twitter, Youtube, Flickr e outras mídias. Além disso, a dinâmica atual das agências e dos clientes exige que a mais simples das mensagens seja aprovada por dezenas de pessoas antes de ser divulgada. Isso é totalmente inviável no universo das mídias sociais, no qual rapidez, relevância e espontaneidade podem fazer a diferença. Quando produzido exclusivamente pelo cliente, esse tipo de conteúdo tem grandes chances de não pegar, pois acaba sendo voltado aos interesses internos da empresa, e desinteressante para as pessoas em geral.

5 - É difícil obter escala e cobrar por isso. Digamos que sua agência trabalha com 20 marcas. Para produzir conteúdo de mídia social para essas marcas, você contrata duas pessoas. Provavelmente, essas duas pessoas juntas produzirão por dia 5 posts para blogs, algumas dezenas de Tweets, algum conteúdo para Facebook, e poucas imagens e vídeos – o que não é suficiente. Ou seja, construir uma relação contínua, relevante e criativa custa caro.

Existem várias outras barreiras, mas essas são as mais fortes, ao meu ver. No entanto, há agências que quebraram todos esses obstáculos e estão fazendo um excelente trabalho. Ou seja, é algo totalmente viável, e que vai fazer a diferença.

fonte: CHMKT

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